domingo, 30 de outubro de 2011

Da pia ao atabaque

Confira o que rolou no VIII Sarau do Manolo na Difusão Cultural de Atibaia no último Sábado, dia 29 de Outubro de 2011.













































Serviço: Sarau do Manolo


Sobre: O Sarau do Manolo acontece sempre num Sábado do mês às 19h00


Local: Difusão Cultural Atibaia (Dr. Osvaldo Urioste, 41/ Centro, perto da matriz, Atibaia-SP)


Para saber quando rola: http://www.facebook.com/groups/201998283184783/253683444682933/?notif_t=like#!/saraudomanolo

domingo, 16 de outubro de 2011

Maneira Negra - Rubens Matuck

O artista plástico Rubens Matuck traz para a Grafhias – Casa da Gravura, a exposição “Maneira Negra”. Nessa mostra, o artista leva-nos para um “tour” por sua vida de experimentações com gravura em metal. Usando como técnica a “maneira negra” ou “mezzotinto”, o artista explora em seus últimos trabalhos a cor.



Obra de Rubens Matuck - Fonte: Graphias


Matuck obtém variados resultados da mesma matriz, faz intervenções e cria uma série de imagens como se cada uma desse continuidade a outra, inventa uma história. Constrói transparências impressionantes, cria jogos de luz com “chiaroscuro” que dá um tenebrismo em suas imagens.

Com tramas entrelaçadas, Matuck desenvolve num único trabalho uma riqueza de detalhes que conduz o olhar do observador sobre sua obra, como se indicasse o caminho, e pouco a pouco vão surgindo novas percepções. Além disso, há em seu trabalho movimento, dinamismo que embarca-nos de vez no enredo de suas histórias.


Rubens Matuck - Fonte: Graphias


Serviço: Maneira Negra - De: 17/9/2011 a 22/10/2011 - Artista: Rubens Matuck - terça a sexta das 10 às 18 h sábado das 10 às 14 h Graphias - Casa da Gravura - Rua Joaquim Távora, 1605 Vila Mariana - São Paulo/SPCEP 04015-003 Fone (11) 5539-1358 contato@graphias.com.br / www.graphias.com.br

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Pios, só pios

Ave de porte variado

De perna pelada e bico vermelho

Passeia por livros do Jorge Amado

Vira e mexe olha-se no espelho


Semelhante aos pombos de praça

Comem na mão de velhinhos desonestos

Não importa o que faça

Creem nas palavras de Arnesto


Acasalam sem mesmo amar

Sobrevivem? Sobras vivem

Sorte? Só conhecem o azar

Acuda! Mas não há ninguém


Nas noites frias do mundo

Piam tristes ao relento

Na cama de um vagabundo

Fingem orgasmos para o sustento

Vita et Mors

O fio de linha que sustenta a vida desenrola-se em tramas fluídas até os rígidos emaranhados da morte.


Compartilham desde o início um casamento vitalício selado em branco e preto.


A inexistência de uma, gera o nascimento da outra. É um morrer na vida, um nascer na morte.


O nó que une as duas é tão tênue que não se distingue quando uma acaba ou quando a outra começa.


Nascemos morrendo. Vivemos morrendo.



*Trabalho elaborado para a matéria Plástica/Curso Artes Visuais


*Material: Linha e Papel

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Os eternos clones


AMARAL, Fábio Siqueira de. Os eternos clones. Navegar Editora, São Paulo, 2004.



O escritor Fábio Siqueira do Amaral nasceu na cidade de Palmital - SP no dia 28 de Outubro de 1943. Estudou Arte Dramática na EAD-USP e trabalhou em mais de cinquenta peças de teatro. Mesmo se dedicando as artes apenas em seus momentos de lazer, além de escrever, Fábio do Amaral ainda desenha, pinta, canta e compõe. Atualmente reside em Atibaia - SP, onde é membro da ALA (Academia Literária Atibaiense). É membro associado também da ASES (Associação de Escritores de Bragança Paulista - SP), UBT (União Brasileira de Trovadores - Atibaia) e UBE (União Brasileira de Escritores). Além de "Os eternos clones", ainda pela Navegar Editora publicou um livro com quinze contos, "Contos de desencontros" e o romance "O fascínio do mal".


O livro "Os eternos clones" narra a história de Rogério, um brilhante jovem que ao ver-se traído pelo próprio irmão não raciocina outra alternativa e acaba fugindo para uma pequena cidade onde pensava encontrar a paz. Mal sabia que a pacata Grotão do Meio escondia tantos mistérios e maiores problemas do que já havia suportado.


Num estilo atípico aos literários brasileiros, Fábio Siqueira do Amaral transcorre livremente entre a ficção e a não-ficção. Aproveita de sua criatividade e brinca com o imaginário do leitor, criando um suspense que te absorve de curiosidade do começo ao fim. Agrega numa mesma história fatos da vida cotidiana e seres com poderes especiais. Abusa da ficção como poucos autores brasileiros. Como narra (AMARAL, 2004, p. 158) no trecho:



Segundo contaram depois, o Ermitão apareceu de repente no meio de toda aquela gente, como que saído por trás de uma árvore, sem que ninguém nada tivesse notado. O corre-corre para o lado dele foi uma loucura. Entretanto, ele parecia estar protegido por uma redoma estranha e invisível, que impedia qualquer aproximação dentro de um raio de 3 ou 4 metros. Por enquanto, somente a garota Marta, depois de ser chamada, conseguia chegar-se a ele.



Semelhante a uma novela, vemos o foco da história ora estar numa personagem ora noutra. Por exemplo, a personagem Guto Palomas que inicialmente parecia um mero complemento à história e em seu desenrolar, ganha espaço e se torna uma peça importante nesse “jogo de xadrez”. Personagem a qual o autor utiliza para em meio a toda esta trama, tecer uma crítica aos meios de comunicação e sua influência. Escreve (AMARAL, 2004, p. 209) em:



[...]Essa gente nos auxiliará a levar adiante nosso “Plano de Ação”. Usaremos a vaidade, a necessidade, a tara, a imbecilidade, a ignorância do ser humano e até dos crimes e das desgraças faremos os nossos espetáculos! E convidaremos também a gentinha comum e ordinária para nossas plateias e palcos... Assim, estaremos economizando muito dinheiro... A esses convidados não precisaremos pagar-lhes coisa nenhuma! Pelo nosso gesto, já se sentirão bem recompensados...



Sem dúvida, o romance “Os eternos clones” é um livro que abre portas para o cenário literário brasileiro e o quão longe nossa criatividade em escrever pode chegar. Talvez os fatos sejam os mesmos, mas o que difere é como contamos a história. “[...]As histórias são clonadas; os poderes são clonados, o ser humano é clone de seu clone. Nada é novo! Mudam-se apenas as datas e os ambientes”, diz o autor na capa do livro.



Adquira as obras em http://www.fabiosiqueiradoamaral.com.br/ ou entre em contato com o autor pelo e-mail fabiosiqueiradoamaral@yahoo.com.br



ASES (Associação de Escritores de Bragança Paulista - SP) http://www.asesbp.com.br/


UBE (União Brasileira de Escritores) http://www.ube.org.br/default.asp


UBT (União Brasileira de Trovadores - Atibaia) http://www.atibaiacultural.com.br/1/index.php?option=com_content&view=article&id=106%3Aatibaia-e-seus-trovadores&catid=32&Itemid=10


ALA (Academia Literária Atibaiense) http://www.academialiterariatibaiense.com.br/index.php



Foto Livro: http://fabiosiqueiradoamaral.com.br.megaloja.com/

domingo, 24 de julho de 2011

V Sarau do Manolo

Um Sábado por mês, sob a luz de mercúrio irradiada por um abajur improvisado, peregrinos de variadas idades se reúnem ao redor de um tambor. Vindos de muitas partes e terras longínquas, os aventureiros profetizam, criam, encenam, se mostram e viajam em ritos linguísticos. Se tem um Deus? Nesta Ágora de tempos modernos, o único Deus é a liberdade de expressão e a Poesia.










No último Sábado, dia 23 de Julho na Difusão Cultural de Atibaia, aconteceu o V Sarau do Manolo, que além de muita poesia estava com a exposição de três artistas: Gersey Pinheiro, Daniel V. e Summer.

Gersey Pinheiro é uma artista plástica da cidade de Atibaia-SP e trouxe dois trabalhos em estêncil que fez inspirada nas congadas de Atibaia, além de dois trabalhos florais.

Da cidade de São Paulo-SP, estava o artista Daniel V. Estudante do 4º Semestre de Artes Visuais no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, o artista trouxe três trabalhos de serigrafia e três trabalhos em madeira.

Selecionando algumas fotos, a artista Sumer de Bragança Paulista-SP estava expondo fotografias de diferentes temas externando sua criatividade.


Participação de Helvio Tamoio, com seu livro ''O nó da cana também dá garapa''



Mais informações- Difusão Cultural Atibaia: 11 4402 4296
crédito do cartaz: Matias
Picon



Difusão Cultural Atibaia


Rua Oswaldo Urioste, 41 (próximo a Matriz, só descer a rua da Sorveteria do Valentim)


Atibaia, Brazil


quarta-feira, 15 de junho de 2011

O caso do pintor daltônico



SACKS, Oliver. Um antropólogo em Marte: Sete histórias paradoxais. Companhia das Letras, São Paulo, 1995.


O londrino Oliver Sacks nasceu em 1933 e atualmente mora nos EUA onde leciona no Albert Einstein Collegeof Medicine (NY). Dentre seus livros estão: Tempo de despertar (que inspirou o filme homônimo com Robert de Niro e Robin Willians, e a peça A kindof Alaska, de Harold Pinter), Enxaqueca, O homem que confundiu sua mulher com um chapéu, A ilha dos daltônicos e Vendo vozes.



Com sete histórias, o livro “Um antropólogo em Marte” fala de como pessoas pressionadas por situações-limites, podem ajudar-nos a compreender melhor o que somos. Segue abaixo a resenha do texto do capítulo 1, “O caso do pintor daltônico”:



No capítulo “O caso do pintor daltônico”, Oliver Sacks narra o caso do paciente Jonathan I.,um pintor que após um acidente perde sua visão em cores e começa a enxergar o mundo em monocromático. Com um caso excepcional para se aprofundar no estudo de nossa visão das cores, Sacks acompanha os duros percursos por onde segue o pintor e sua adaptação a perde daquilo que mais lhe valia, a cor.



A cor sempre acarretou fascínio à humanidade, sua formação, decomposição e até sentimentos proporcionados, foram desde tempos remotos alvo de pintores, cientistas e grande pensadores. Como cita (Sacks, 1995, p. 22) em:


[...] O jovem Spinoza escreveu seu primeiro tratado sobre o arco-íris; a mais jubilosa descoberta do jovemNewton foi a composição da luz branca; o grande trabalho de Goethe sobre a cor, assim como o de Newton, teve início com um prisma; Schopenhauer, Young, Helmholtz e Maxwell, no século passado, foram todos atormentados pelo problema da cor; e o último trabalho de Wittgenstein foi seu Observações sobre a cor. [...]



Sacks, pela primeira vez, tinha em suas mãos um extraordinário caso no qual podia se aprofundar num estudo sobre a cromática, descreve (Sacks, 1995, p. 22):


[...] Duplamente intrigante é sua ocorrência num artista, um pintor para quem a cor tinha uma importância primordial, e que pode tanto descrever como pintar diretamente o que lhe aconteceu e assim transmitir a totalidade da estranheza, aflição e realidade de sua condição.




Com a acromatopsia cerebral, o paciente Jonathan I., perde o apetite para se alimentar, o prazer pelo sexo e por tudo aquilo que seja cromático, o que agora tinha-lhe aparência repugnante, diz (Sacks, 1995, p. 25) em:


O sr. I. mal podia suportar a nova aparência das pessoas (“como estátuas cinzentas


animadas”), tanto quanto não suportava sua própria aparência no espelho: passou a evitar encontros sociais e a achar impossível uma relação sexual. Via a carne dos outros, de sua mulher e a sua própria, como se fosse de um cinza repulsivo; “cor-de-carne” passou a ser “cor-de-rato” para ele. E isso continuava ocorrendo mesmo quando fechava os olhos, já que sua nítida imaginação visual tinha sido preservada, só que agora igualmente sem cores.



Segundo Sacks, a visão da cor, diferente dos outros estímulos visuais podia ser reproduzida experimentalmente, concentrando impulsos nas células V4 localizados no córtex associativo medial. Porém, não é de estímulos experimentais que se dá visão do mundo real, explica (Sacks, 1995, p. 45) em:


[...]Mas a visão colorida, na vida real, é parte integrante de nossa experiência total, está ligada a nossas categorizações e valores, torna-se para cada um de nós uma parte de nossa vida e nosso mundo, uma parte de nós. [...] É em níveis mais elevados que a integração acontece, que a cor se funde com a memória, com expectativas, associações e desejos de criar um mundo com repercussão e sentido para cada um de nós.



Embora Sacks e seus auxiliares não houvessem descoberto a causa da situação do Sr. I., descobriram que era as áreas V4 que arcaram com o impacto de seu acidente. Três anos após o acidente, sugerem-lhe reaver a visão, diante de saber onde se localizava o problema e da grande possibilidade de cura, mas isto já não importa mais ao Sr. I., relata (Sacks, 1995, p. 55) em:


[...]Nos primeiros meses após a lesão, ele disse, teria aceitado tal sugestão, feito


qualquer coisa para se “curar”. Mas agora que concebia o mundo em outros termos e


novamente o julgava coerente e completo, achou a idéia ininteligível e repulsiva. Agora que a cor tinha perdido suas associações anteriores, seu sentido, não podia mais imaginar com que pareceria sua restauração. Sua reintrodução seria brutalmente confusa, ele pensava, e podia lhe impingir um tumulto de sensações irrelevantes, perturbando a agora restabelecida ordem visual do seu mundo. Estivera por certo tempo numa espécie de limbo; agora tinha se acomodado -- neurológica e psicologicamente -- ao mundo da acromatopsia.



Concordo com os métodos de Oliver Sacks para chegar a seus resultados, não se limitando somente ao fisiológico da situação, mas, dando grande ênfase ao psicológico, que tem parte importantíssima na hora de discernir aquilo que vemos ou que pelo menos em nossa mente é real.



Foto: albena.org



Foto do livro: livrosdownload.com