quinta-feira, 7 de abril de 2011

El baño de Frida Kahlo

Graziela Iturbide nasceu no México em 1942. Casa-se com o arquiteto Manuel Rocha Díaz no ano de 1962, casamento que gera três filhos. Em 1970, um trágico acontecimento marca a vida da fotógrafa para sempre, sua filha morre aos seis anos de idade. A partir desse momento, Iturbide sensibiliza-se pela fotografia.

Aluna de Manuel Álvarez Bravo, considerado o Cartier Bresson do México em termos de fotógrafo mais conhecido, Graziela, sofre influências em sua fotografia do professor e também de Cartier Bresson e Sebastião Salgado.



Frida Kahlo morreu em 1954, seu marido Diego Rivera, não podendo mais olhar para os pertences de sua esposa, tranca-os todos no banheiro. Em 2006, Rivera resolve abrir o banheiro depois de anos e convida a fotógrafa Graziela Iturbide para registrar este momento. Iturbide entra sozinha com sua câmera e estabelece um diálogo entra a artista, capta com seu olhar o lado mais humano de Frida, sem explorar sua vida artística. Disso nasce sua série "El baño de Frida Kahlo" publicada em um livro de mesmo título em 2009.

Fotos: http://www.arte-mexico.com/lopezquiroga/GracielaIturbide/elbanodeFridaKahlo.html


sexta-feira, 1 de abril de 2011

In the road...

O viajante Robert Frank nasceu em Zurique, Suíça, em 1924. Em busca de fotos inusitadas, o fotógrafo observa, tenta conhecer os indivíduos e espera pelo acaso. Entra em bares, hoteis vagabundos e rodoviárias. Sua fotografia mostra também aquilo que ele sente.



Os americanos não suportaram a imagem que Frank captou de seu país, a desigualdade social, o racismo, o capitalismo desenfreado. O livro "The Americans", lançado em 1958 na Europa, só foi saiu nos EUA um ano depois, causando muito desagrado entre os patriotas que sonhavam possuir um país dos sonhos.

Foto de Robert Frank: invinciblearmor.blogspot.com


Fotos: http://www.portal3.com.br/hotsites/jornalismoonline2/o-fotodocumentarismo-de-robert-frank-the-americans/

A sombra que quebrou o relevo

300.000 Km/s, foi aproximadamente a velocidade do raio que fez partir o tédio e nascer a sombra. Inicialmente era pequena, estava deitada. Ao olhar ao redor, viu que havia várias como ela, de todos os tamanhos possíveis. Mesmo jovem sonhava em ser grande como suas irmãs, e quanto mais raios vinham, mais se alongava. Ao meio-dia estava com formas arredondas, equilibrada na linha do criador que emanava raios ininterruptamente, assegurando sua forma corpórea. Durante a tarde se divertiu tanto correndo pelos campos, se distorcendo no capim, mas eis que o inusitado acontece. Uma massa acinzentada se aproxima sorrateira, bloqueando sua fonte de definição. Naqueles minutos que mais pareceram uma eternidade, o tempo parou. Ou mesmo não mais existia, se sentiu num vácuo. Pela primeira vez sentiu a experiência da morte. Quando abriu os olhos, viu que a massa se afastava e refletiu sobre o fato. Pensou consigo que não era eterna, e que a ameaça de uma massa maior poderia extinguí-la para sempre. Passou a tarde angustiada com a descoberta, se viu deitada e percebia a cada minuto que menos raios sentia. No último raio, uma nova descoberta. Não se sabe como ou porquê, mas ela orou, pediu a alguém que supostamente a pudesse ouvir. Não havendo resposta, a luz se foi. Novamente no silêncio e não havendo outra saída, ficou a ouvir. Viu que eram suas irmãs que estavam ao seu lado, todas grudadas como se fossem uma. Sentiu-se confortada e percebeu que fazia parte de algo muito maior, e sorriu. Com o passar dos anos, conheceu muito. Percebeu que havia mais energias que a podiam alimentar, conheceu a energia vermelha que dançava sobre a brasa, conheceu mais esferas luminosas e pontos brilhantes, estáticos ou velozes, viu que mesmo com as massas cinzentas carregadas, ora ou outra, uma energia brotava do chão rasgando o céu. Embora o mais importante foi a descoberta da imaginação, com o qual viajou pelo universo com suas irmãs. Viu que sempre existiria de alguma forma, finalmente a sombra quebrou o relevo. Foto: espiritualidadeparatodos.blogspot.com

Diálogo idealizador

Por Luiz Fernando Bueno e Miguel Messias dos Santos
Nesse mundo de ilusão

Onde a injustiça impera

Alunos sem escolas e educação

Pais morrendo em tapera


Vemos evanescer poetas

Perdidos sem esperança

Esquecem suas metas

Mata-se a criança


O que será do povo

Que não escreve seu nome

Vive dentro do ovo

Com a barriga com fome


O trabalho só tira

Tempo de raciocínio

O pobre está na mira

Pra quê tal fascínio?


Se faltam empregos para os pobres

As elites esbanjam as fortunas

Que vivem em castelos nobres

Porém, como dividem as misturas?!


Escritos nas tábuas da ideologia

Os burgueses sempre consomem

Lo miserable sempre servia

Igualdade! Grita o homem.

Papos de poetas do museu... Foto: blogdonazario.zip.net

segunda-feira, 28 de março de 2011

Só preciso de um cartão

Chego cedo na universidade, já que era o primeiro dia, olho a aula de quinta e vou para uma fila onde estavam distribuindo cartões provisórios para entrar. Filas divididas por letras, nomes de A à F, G à T, etc, etc... Quando chega minha vez, a atendente diz: "Seu nome não está na lista, vá para o balcão de entrada!". Ok, fui e me disseram para subir e se dirigir à secretaria: "Pergunte porque seu nome não está na lista?". Junto a meu amigo Wagner, subi (já me sentia deslocado naquele espaço e ainda me acontece isto). Lá pego minha ficha e aguardo a vez.
Nisto conhecemos Victor, que é da mesma cidade de Wagner, Jundiaí, e trocamos papos até chegar minha hora.

Ao falar com o moço ele me diz que está tudo certo e estou matriculado, mas o mais importante não me dava, o cartão. Disse para mim: "Vá a sala dos professores para eles conferirem melhor". Fui lá, e moça mesmo a pensar que não tinha nada a ver com a história (o que também acho, sala dos professores?), ela confirmou e me mandou passar na coordenadoria.

Desci para o hall de entrada novamente e a palestra havia começado, então resolvemos ir vê-la, a moça disse: "para entrar, precisas do cartão", contei minha saga e depois de um tempo me deixou entrar, perdemos boa parte da palestra, mas pegamos a apresentação dos coordenadores de cursos e outros "blá blá blás".

Depois fomos a "famosa" coordenadoria que fica do lado de fora do prédio e lá nosso jovem universitário conta tudo o que fez para conseguir "O cartão" e a moça diz: "vá para o hall de entrada", meu Deus! Tudo isto começou lá!

Chego lá, pergunto a moça (claro, depois de contar a saga), ela anota meu número e diz: "resolverei ainda hoje".

Já em Atibaia, no Clube de Fotografia, meu celular toca e uma moça me diz: "o que você quer mesmo?". Como assim o que quero?! Já furioso explico a saga do cartão, diz que vai resolver e pergunto como entro amanhã na "facu": "Entra como visitante", me responde.

No outro dia, vou ao balcão de entrada e a moça faz-me um cartão de visitas e quando passo o cartão na catraca, bloqueado. Volto a falar com a moça, conto a saga e pergunto-lhe: "terei que fazer isto todo dia?". A moça diz: "Péra aí, vou fazer um cartão provisório pra ti".


*Inspirado na obra de Gabriel Garcia Marques, "Só vim telefonar" e na via crucis burocrática do jovem Luiz F. Bueno

domingo, 13 de março de 2011

Pin-hole externo

O pin-hole externo ao mesmo tempo que é mais rápido devido a grande quantidade de luz, esta também muitas vezes acaba atrapalhando por causa de suas variações.
Geralmente um pin-hole externo dura de 10 seg a 3 min de exposição. E se pensa em tempo sempre à mais do que num ambiente interno, se tiver que reduzir, reduza sempre um pouco a mais e vice-versa.
Se a luz mudar durante a exposição, também calcule pensando nesta mudança e tu terá ótimas fotos.

2 min de exposição

1 min de exposição

sábado, 12 de março de 2011

Pin-hole interno

No séc. XV, Leonardo da Vinci deu o primeiro passo à uma das artes visuais mais fantásticas que temos ao nosso alcance de uma forma tão prática que até esquecemos todo o trabalho que se deu para termos o que hoje chamamos de fotografia.
Da Vinci se trancava numa sala escura com um único orifício e do lado de fora os objetos que lá se encontrassem eram projetados para dentro sobre o papel na parede, onde ele conseguia pintar buscando o máximo de realismo possível, o que a humanidade buscava nesta época era a perfeição retratada num suporte e muitos outros como Leonardo da Vinci tentaram de alguma forma esta perfeição, surge então a "câmara obscura".
Na Coleção Da Vinci Codex Atlanticus que está Biblioteca Ambrosiana de Milão, Itália, Da Vinci descreve o processo da "Câmara Obscura":

Quando as imagens dos objectos iluminados penetram num compartimento escuro, através de um pequeno orifício e se recebem sobre um papel branco situado a uma certa distância desse orifício, vêem-se, no papel, os objectos invertidos com as suas formas e cores próprias.”


No Pin-Hole ou Pinhole, a técnica é a mesma, a diferença é que temos um papel fotográfico sensível a luz e que consegue gravar esta imagem em papel.
O pin-hole, "buraco de agulha" é um experimental de fotografia fantástico, que tem o intuito de mostrar a base de como funciona a fotografia.

Montando o brinquedo

Material: Lata metálica com tampa de mesmo material(lata de leite Ninho), pode ser feita com outros suportes também; fita isolante, lacre da parte de dentro da lata, tinta preta e papel fotossensível para revelação em câmara escura.
Mãos à obra: Pinte o interior da lata de preto e parte da tampa voltada para dentro também. Com um martelo e um prego faça um furo central na parte vertical da lata. Pegue o lacre da lata, corte um quadrado e cole fita isolante em seu entorno, fixando no buraco do lado de dentro da lata. Com uma agulha faça um furo neste lacre e cole uma fita isolante sobre, pronto, tu já tens uma câmera fantástica em mãos.

Como "pinholar"

Primeiro lembrando que a fotografia no experimento que estou explicando resultará numa imagem em preto e branco, negativa (inversa), é possível também obter a imagem com uma base positiva (tu precisará de um papel específico).
Em uma câmara escura(somente em uma câmara escura, pois senão teu papel vai queimar todo com a luz), corte o papel fotossensível num tamanho que caiba na lata, tampe bem a mesma e daí tu podes sair e se divertir.
Num primeiro momento tente em um ambiente interno, pois a luz oscila menos que a luz natural e as chances de obter resultados mais rápidos é consequentemente maior.
Escolha o que quer fotografar e posicione a câmera, retire o a fita isolante e aguarde inicialmente 10 min. como teste, acabando este período, vá até a câmara escura e revele sua foto. (explico como funciona a revelação numa próxima postagem)
Ver a imagem brotando no papel é uma coisa maravilhosa e única, um bom pin-hole acontece quando conseguimos obter todas a variações do branco ao preto. Se a foto sair muito branca, aumente o tempo de exposição, se o contrário, diminua. Bom Pin-Hole!

15 min de exposição

25 min de exposição

30 min de exposição

Fontes: http://www.gettyimages.pt/Creative/Frontdoor/DaVinciCodexAtlanticus-RM
www.estt.ipt.pt/.../2620__HF_Leonardo%20Da%20Vinci%20e%20a%20Fotografia.doc